453pc4
1214
Estudantes de MedicinaAvaliação inicial do politraumatizado (ABCDE do ATLS)Calculadoras Estudantes de MedicinaCirugia do Traumacirurgia de controle de danos (damage control) e a tríade letal (acidose hipotermia e coagulopatia)Como Passar na Prova de Residênciacontusão pulmonar e fraturas de arcos costais (tórax instável)Especialidades Médicas em QuizFaça Quiz Cancer de MamaFAQ Estudantes de MedicinaFocar em passar na prova de residênciaGeradores de Quiz Saúde AZhematoma extradural e intervalo lúcidohematoma subdural agudohemotórax maciço e indicação de toracotomia de reanimaçãolesão por inalação e queimadura de vias aéreasmanejo de via aérea difícil e indicações de cricotireoidostomiamanejo não operatório de lesões de vísceras maciças (fígado e baço)Perguntas sobre Doenças Formato QuizProvas de Residência Médicaqueimaduras de segundo e terceiro grau e cálculo de reposição volêmica (Fórmula de Parkland)Questões mais Caem Provas de ResidênciaQuiz AlzheimerQuiz Estudantes de MedicinaQuiz Saúde AZQuiz sobre Doenças EndócrinasResidência Médicarotura traumática de aorta e alargamento do mediastinosíndrome compartimental abdominaltamponamento cardíaco e tríade de Becktrauma abdominal fechado com instabilidade hemodinâmica e indicação de laparotomiatrauma abdominal penetrante por arma de fogo e arma brancatrauma cervical penetrante e conduta nas zonas I II e IIItrauma cranioencefálico leve moderado e grave (Escala de Coma de Glasgow)trauma de bexiga e uretra (contraindicação de sondagem vesical)trauma pélvico com choque hemorrágico e uso de fixadores ou lençol pélvicotrauma raquimedular e choque neurogênicotrauma renal e hematúriatrauma torácico com pneumotórax hipertensivo e drenagem torácicatrauma vascular de extremidades e síndrome compartimental de membros

Avaliação inicial do politraumatizado (ABCDE do ATLS): Como Passar na Prova de Residência

67 / 100 Pontuação de SEO

Avaliação inicial do politraumatizado (ABCDE do ATLS)

Caros colegas e acadêmicos, bem-vindos a uma discussão avançada no saudeaz.com.br. A medicina de emergência não tolera o “quase”. Quando lidamos com o politraumatizado, a fronteira entre a vida e o óbito é desenhada pela capacidade do médico de sistematizar o caos. O ABCDE do ATLS (Advanced Trauma Life Support) não é apenas uma lista de verificação; é uma filosofia de conduta onde a fisiopatologia dita a prioridade. Hoje, vamos além do básico, explorando as nuances da 10ª edição, as armadilhas cognitivas da sala de trauma e o raciocínio clínico que separa o novato do especialista.

A Mudança de Paradigma: Do ABCDE para o XABCDE

Antes de iniciarmos a via aérea, precisamos abordar o óbvio. A hemorragia exsanguinante externa (amputações traumáticas, lesões arteriais visíveis) mata antes da hipóxia. Portanto, o “X” entra como pré-requisito. O uso de torniquetes, antes demonizado, hoje é encorajado no ambiente pré-hospitalar e na admissão imediata. Controle o sangramento massivo, depois olhe para a via aérea.

A (Airway): Muito Além do “Abre a Boca”

A via aérea é a prioridade fisiológica número um. Mas o erro mais comum que vejo em residentes é a hesitação. Um paciente com GCS (Glasgow) de 8 ou menos não “pode” ser intubado; ele deve ser intubado. A proteção da via aérea definitiva previne a broncoaspiração e a hipoxemia secundária, que é devastadora para o cérebro traumatizado (lesão secundária).

Dica de Ouro: O Trauma Maxilofacial

Em traumas faciais extensos (Le Fort II ou III), a anatomia está distorcida. Sangue e dentes quebrados tornam a laringoscopia um pesadelo. Aqui, a cricotireoidostomia cirúrgica não é “o último recurso”, é muitas vezes o primeiro plano lógico se a intubação falhar uma única vez. Não insista em IOT num cenário de “não intubo, não ventilo”.

B (Breathing): A Semiologia Esquecida

Muitos pedem Raio-X antes de colocar a mão no doente. Erro crasso. O diagnóstico de Pneumotórax Hipertensivo é exclusivamente clínico. Se você espera o Raio-X para drenar, você matou o doente.

Abaixo, uma tabela comparativa para diferenciar as duas entidades pleurais mais letais na sala de emergência, vital para sua prática e provas:

Parâmetro Clínico Pneumotórax Hipertensivo Hemotórax Maciço
Percussão Torácica Hipertimpanismo (som de caixa vazia) Macicez ou Submacicez (som de líquido)
Desvio de Traqueia Presente (para o lado oposto à lesão) – Tardio Pode ocorrer, mas é menos comum que no pneumo
Veias do Pescoço (Jugulares) Turgência (estase jugular) Colabadas (devido à hipovolemia severa)
Fisiopatologia do Choque Choque Obstrutivo (o ar comprime a veia cava) Choque Hipovolêmico Hemorrágico
Conduta Imediata (ATLS) Descompressão torácica (agulha ou dedo) Volume + Drenagem Torácica (+ Autotransfusão)

C (Circulation): O Fim do “Soro a Vontade”

A maior atualização recente é a restrição de fluidos. Antigamente, infundíamos litros de Ringer. Hoje sabemos que isso dilui os fatores de coagulação e estoura o coágulo formado (“pop the clot”). O conceito atual é Reanimação Hemostática.

  • Cristaloides: Máximo de 1 litro inicialmente. Aqueça a 39°C. Hipotermia causa coagulopatia.
  • Ácido Tranexâmico (TXA): O estudo CRASH-2 provou: tem que fazer nas primeiras 3 horas. Não espere o cirurgião pedir.
  • Blood for Blood: Se o paciente sangra sangue, reponha sangue (ou plasma/plaquetas na proporção 1:1:1). Cristaloide não carrega oxigênio.

Estudos de Caso: O Que a Teoria Não Conta

Vamos aplicar a teoria à prática de plantão. Para mais casos clínicos, explore a seção de emergência do saudeaz.com.br.

Caso 1: A “Lua de Mel” do Choque

Cenário: Jovem de 20 anos, acidente de moto. Chega alerta, PA 110/70, FC 105.

Análise: A PA normal engana. Jovens têm tônus simpático alto. A taquicardia (FC > 100) é o primeiro e único sinal de que ele já perdeu até 30% da volemia (Choque Classe II). Se você não repuser volume agora, ele vai colabar subitamente em 30 minutos. Não confie na pressão arterial de jovens.

Caso 2: O Trauma Pélvico “Open Book”

Cenário: Atropelamento, dor na bacia, hipotenso. Ao exame físico: instabilidade pélvica.

Erro Fatal: “Testar” a estabilidade da pelve várias vezes.

Conduta: Toque uma vez. Se instável, amarre (lençol ou cinta pélvica) ao nível dos trocânteres maiores imediatamente. Cada manipulação da fratura pélvica rasga mais o plexo venoso posterior e aumenta o sangramento retroperitoneal.

Caso 3: O Idoso que “Tropeçou”

Cenário: Senhor de 78 anos, uso de Clopidogrel. Queda da própria altura. GCS 15.

Risco Oculto: Antiagregantes e anticoagulantes tornam qualquer trauma craniano leve uma bomba relógio. A TC de crânio é obrigatória, mesmo que ele esteja assintomático agora. O sangramento pode ser lento e insidioso (hematoma subdural crônico ou agudizado).

10 Perguntas Frequentes (FAQ) de Residência

  1. O que é a Tríade Letal do Trauma?
    Acidose metabólica, Coagulopatia e Hipotermia. É um ciclo vicioso que leva à morte. A cirurgia de Controle de Danos visa interromper esse ciclo.
  2. Quando o FAST substitui a Tomografia?
    Apenas no paciente INSTÁVEL hemodinamicamente. Se o paciente está estável, o padrão-ouro é a TC (pan-scan). Se instável + FAST positivo = Laparotomia.
  3. Posso usar vasopressores (Noradrenalina) no trauma?
    Com extrema cautela e apenas temporariamente se houver risco de parada iminente por hipotensão severa, enquanto o volume entra. Vasopressor em hipovolemia “espreme” um sistema vascular vazio e causa isquemia mesentérica. O tratamento do choque hemorrágico é volume, não droga vasoativa.
  4. Qual a diferença entre Cricotireoidostomia e Traqueostomia?
    A Crico é um procedimento de emergência, rápido, na membrana cricotireoidea. A Traqueo é eletiva, complexa, feita entre anéis traqueais. Na emergência, fazemos Crico.
  5. Como reverto a Warfarina no trauma grave?
    Complexo protrombínico é o ideal. Plasma fresco congelado é segunda linha (requer muito volume e tempo). Vitamina K demora horas para agir.
  6. O que indica uma “fratura de costela” no idoso?
    Aumento significativo da morbimortalidade por pneumonia e insuficiência respiratória. Exige analgesia agressiva (bloqueio intercostal ou peridural) para permitir que o paciente tussa e respire.
  7. Quando suspeitar de Lesão de Aorta?
    Mecanismo de desaceleração rápida (batida frontal > 60km/h ou queda de altura). Alargamento do mediastino no Raio-X é o sinal clássico.
  8. Gestante politraumatizada: quem priorizar?
    A mãe. O feto depende 100% da perfusão materna. Reanime a mãe agressivamente. Lembre-se de desviar o útero para a esquerda para não comprimir a veia cava.
  9. O que é o sinal do “Guaxinim” (Raccoon eyes)?
    Equimose periorbital bilateral. Indica fratura de base de crânio (fossa anterior). Contraindica cateter nasogástrico/nasotraqueal (pode ir para o cérebro).
  10. Qual a prioridade no Trauma Raquimedular (TRM)?
    Imobilização e manutenção da PAM > 85 mmHg para garantir perfusão medular. Hipotensão é inimiga da medula lesada (choque neurogênico).

Dicas, Curiosidades e Pegadinhas

Cuidado com os Cálculos: No choque queimado (Parkland), a conta é baseada na superfície corporal queimada. No trauma mecânico, a reposição é baseada na resposta hemodinâmica. Não misture as fórmulas.

A Pegadinha do Glasgow: Se o paciente está intubado, o componente Verbal (V) é “não testável” (NT). O Glasgow é reportado como, ex: GCS 5t (onde T indica tubo). Nunca invente uma pontuação verbal para quem não pode falar.

Curiosidade Histórica: O ATLS nasceu em 1978, depois que um cirurgião ortopédico (Dr. Styner) sofreu um acidente de avião com sua família e percebeu que o atendimento no hospital rural foi inadequado. O protocolo nasceu da dor pessoal de um médico.

Teste de Proficiência Médica

Preparei este quiz com casos clínicos que exigem raciocínio, não apenas memória. Responda como se estivesse no plantão.

Desafio Clínico: Trauma Avançado

Desenvolvido pelo time médico do SaúdeAZ. Você consegue salvar estes pacientes?

1. Paciente de 25 anos, vítima de ferimento por arma de fogo em tórax direito. Chega à sala vermelha confuso, PA 70/40 mmHg, FC 130 bpm. Ao exame: Turgência jugular e murmúrio abolido à direita. A conduta IMEDIATA, antes de qualquer raio-X, é:
2. Sobre o Choque Hemorrágico Classe III, qual a apresentação clínica clássica que define a necessidade de iniciar hemoderivados?
3. "Pegadinha": Um paciente com Trauma Cranioencefálico (TCE) Grave chega com PA 80/40 mmHg. Qual a prioridade absoluta para proteger o cérebro (neuroproteção secundária)?
4. Você atende uma criança de 5 anos atropelada. Ela está taquicárdica (160 bpm) mas normotensa. As extremidades estão frias. Qual a interpretação correta?
5. No protocolo de Transfusão Maciça, qual a proporção ideal de hemoderivados (Concentrado de Hemácias : Plasma : Plaquetas)?

Resultado da Avaliação

Conclusão

O ABCDE é a linguagem universal da sobrevivência. Dominá-lo exige humildade para reavaliar sempre. Não confie na estabilidade; ela é temporária no trauma. Continue estudando, revise os capítulos de choque e via aérea no saudeaz.com.br e mantenha-se preparado para o pior dia da vida do seu paciente.


Aviso Legal (Disclaimer): O conteúdo deste artigo é direcionado exclusivamente a profissionais e estudantes da área da saúde. As condutas terapêuticas descritas seguem as diretrizes do ATLS (10ª Edição) e literatura médica vigente, mas não substituem o julgamento clínico individualizado. Em situações reais de emergência, siga os protocolos institucionais locais.

© 2026 saudeaz.com.br. Todos os direitos reservados.

Keywords

avaliação primária do politraumatizado, protocolo atls 10 edição, choque hipovolêmico classe 3, tríade letal do trauma, pneumotórax hipertensivo diagnóstico, cricotireoidostomia de urgência, reposição volêmica com cristaloide, ácido tranexâmico no trauma, trauma cranioencefálico glasgow, sinal do guaxinim trauma, exame fast extendido, choque neurogênico vs hipovolêmico, intubação sequência rápida trauma, lesão de aorta torácica, fratura pélvica em livro aberto, controle de danos cirurgia, toracostomia com dreno tubular, tamponamento cardíaco tríade de beck, via aérea difícil no trauma, trauma pediátrico reposição, trauma em gestante conduta, queimaduras regra de parkland, manobra de jaw thrust, descompressão torácica com agulha, medicina de emergência brasil.

Como Passar na Prova de Residência


Cirurgia do Trauma

Avaliação inicial do politraumatizado (ABCDE do ATLS), manejo de via aérea difícil e indicações de cricotireoidostomia, trauma torácico com pneumotórax hipertensivo e drenagem torácica, hemotórax maciço e indicação de toracotomia de reanimação, tamponamento cardíaco e tríade de Beck, contusão pulmonar e fraturas de arcos costais (tórax instável), rotura traumática de aorta e alargamento do mediastino, trauma abdominal fechado com instabilidade hemodinâmica e indicação de laparotomia, manejo não operatório de lesões de vísceras maciças (fígado e baço), trauma abdominal penetrante por arma de fogo e arma branca, síndrome compartimental abdominal, cirurgia de controle de danos (damage control) e a tríade letal (acidose hipotermia e coagulopatia), trauma pélvico com choque hemorrágico e uso de fixadores ou lençol pélvico, trauma renal e hematúria, trauma de bexiga e uretra (contraindicação de sondagem vesical), trauma cranioencefálico leve moderado e grave (Escala de Coma de Glasgow), hematoma extradural e intervalo lúcido, hematoma subdural agudo, trauma cervical penetrante e conduta nas zonas I II e III, queimaduras de segundo e terceiro grau e cálculo de reposição volêmica (Fórmula de Parkland), lesão por inalação e queimadura de vias aéreas, trauma vascular de extremidades e síndrome compartimental de membros, trauma raquimedular e choque neurogênico.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *